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Bora lá Viajar!

Um blog de viagens de uma sonhadora que quer partilhar as suas experiências com o mundo.

Dom | 02.05.21

Acampar na Europa // Vantagens & os meus parques favoritos

Joana Lameiras

Acampar no Lima Escape.jpeg

 

Viajar é mudar de ares. É mudar a rotina, ter novas experiências, aproveitar o que de melhor o destino tem para oferecer. Viajar é ter imprevistos e desafios, e conseguir rir deles depois. Viajar, para mim, sempre foi aventurar-me para o desconhecido, e deixar o conforto da minha casa temporariamente para trás. E que melhor maneira há de o fazer do que acampar?

Fiz campismo pela primeira vez há 13 anos atrás com a minha família, e repeti a experiência muitas e muitas vezes depois disso. Fiquei a dormir em parques de campismo na vasta maioria dos países que já conheci na Europa, e por isso cresci passando férias todos os anos a dormir numa tenda. Associo viajar com acampar, e acho que uma parte de mim sempre o fará.

Acampar, especialmente noutro país, é, sem exceção, uma experiência com os seus altos e baixos - se por um lado se tem o privilégio de dormir no meio da natureza e se tem a oportunidade de viver o ambiente incrível de um bom parque de campismo, por outro há sempre imprevistos, sejam eles começar a chover enquanto se monta a tenda ou ficar sem gás no fogão durante a confeção do jantar… Mas posso dizer com toda a certeza que nunca tive uma estadia na qual não me tivesse divertido imenso, não importa o local em que estou. Os próprios incidentes dão imensa graça à viagem, mesmo que às vezes não nos consigamos rir logo das desgraças!

Gosto tanto de fazer campismo, pelas mais variadas razões, que já consegui convencer (quase) todos os meus amigos a experimentar e, embora não seja o estilo de viagem favorito de muitos, adaptarem-se é fácil se tiverem energia e muito boa-disposição! Acredito que todos devem experimentar pelo menos uma vez na vida porque acampar tem realmente imensos benefícios:

 

 

  • Versatilidade

 

Acampar pode ser feito de muitas formas e feitios. Existem os parques de campismo, pelos quais eu normalmente opto, e o campismo selvagem. A diferença entre eles é óbvia - no primeiro existem custos acrescidos, mas também se tem acesso a outro tipo de condições, assim como a alguma segurança. O campismo selvagem acaba por ser um desafio e uma aventura ainda maiores, porque há menos garantias de que tudo vai correr bem, o que pode ser bastante gratificante no final da viagem.

Dentro dos próprios parques de campismo existem também imensos tipos de campismo - para começar, os parques são classificados em estrelas, tal como os outros tipos de alojamentos. Assim sendo, é natural que um parque de 1 estrela não seja nada parecido com um de 5 estrelas - acreditem, que eu já tive nos dois extremos. Os preços são diferentes, sim, mas acima de tudo as condições são completamente distintas, desde o nível de higiene das casas de banho, até à maneira como a vegetação do parque é tratada.

Para além disto tudo, existem hoje em dia diferentes maneiras de acampar dentro de um parque. O habitual é, claro, trazer mochila às costas e tenda pronta a montar, assim como mesa e cadeiras, mas isto não é necessariamente essencial. Há cada vez mais parques que oferecem outros tipos de regime, tal como arrendar a própria tenda, para o campista não ter de comprar uma tenda de propósito - o que é particularmente útil se o objetivo da estadia for experimentar algo novo. Existe também o glamping - glamour camping, com condições mais luxuosas e confortáveis (como ter uma cama) e sem perder, no entanto, o contato direto com a natureza. 

É por esta versatilidade toda que o campismo oferece que eu insisto sempre com o pessoal para experimentar - há estilos de campismo para toda a gente!

 

Glamping na Praia da Galé.jpeg

Glamping.jpeg

 

 

  • É desafiador

 

Acampar exige sempre algum trabalho. Não há forma de dar a volta a isso. Se o objetivo das vossas férias é não levantar um único dedo, então o melhor é mesmo riscar o campismo da vossa lista. Desde montar a tenda, fazer as refeições, lavar a louça, ir a casas de banho partilhadas… acampar nunca oferece o mesmo conforto que uma pessoa tem em sua casa, ou num hotel. Mas é também isso que faz da experiência uma maior aventura - há sempre imprevistos, sempre situações com que temos de lidar que não costumam aparecer no nosso dia-a-dia.

Imaginem só: chegam ao parque de campismo e começa uma chuvada brutal. Chove a cântaros e vocês ainda não têm tenda montada. Têm que esperar que atenue ou então aceitar o destino, enfiar o impermeável e meter mãos à obra. Ou imaginem serem acordados às 3h da manhã porque 5 italianos chegaram ao parque podres de bêbados e recusam deixar de fazer barulho, até finalmente serem expulsos uma hora depois. Podem ainda imaginar aquela clássica situação em que uma pessoa acorda a meio da noite aflitinha para ir à casa de banho e tem que começar a correr porque as mais próximas ficam a 500 metros de distância, rezando para que os intestinos aguentem até lá… Há também o cenário em que demoramos 3h a fazer o jantar porque está um vento desgraçado que apaga a chama a cada 20 segundos… e depois ficamos sem gás. Já para não falar da bicharada, que se mete dentro da tenda à primeira oportunidade que tem, principalmente à noite, exigindo um controlo absoluto sobre quem abre e fecha a “porta”. (“Tens de ir buscar uma coisa à tenda? Vá, vai lá mas rápido! Fecha pá, vamos ser comidos por mosquitos!”)

Todas estas são situações pelas quais passei, e muitas mais do que uma vez. E, honestamente, acampar não seria a mesma coisa sem todos os contratempos, a inerente saída da zona de conforto que só nos faz bem. Acampar desenvolve o nosso espírito de desenrasque, a nossa abertura para experiências novas.

Eu nunca me senti completamente descansada depois de uma viagem em que acampei. Nunca. É desafiador, trabalhoso, cansativo. Mas saio de lá sempre com a maior paz de espírito e o maior sorriso, porque acampar é mesmo, mesmo divertido.

E, para aqueles cujo desconforto é um bocadinho demais, podem optar por ficar num bungalow, por exemplo, em que têm casa-de-banho privativa e cozinha como deve ser mas continuam no meio da natureza, como os campistas à sua volta!

 

Carro cheio

 

 

  • Faz bem à carteira

 

Quem nunca passou horas no booking à procura do melhor deal de alojamento para uma viagem que atire a primeira pedra… ou quem nunca ordenou os alojamentos do mais barato para o mais caro, para poupar uns trocos! Isto é super habitual quando planeio viagens, mas apenas naquelas em que não vou acampar. Quando sei que vou fazer campismo faço também a minha pesquisa, mas não dou tanta importância aos preços e as razões para isto são muito simples: primeiro, os parques de campismo numa determinada zona que oferecem serviços semelhantes têm geralmente preços idênticos; segundo, ficar num parque de campismo é quase sempre bem mais barato do que ficar noutro tipo de alojamento, tendo em conta as condições proporcionadas. Por exemplo, já fiquei num parque de campismo de 5 estrelas em Salou, Espanha, de absoluto luxo, com três piscinas, imensas atividades e a 2 minutos a pé da praia por 20€/noite em plena época alta. Agora imaginem o que este valor vos arranjaria noutro tipo de alojamentos… acho que nem uma cama em camarata partilhada no hostel mais rasca consegue ser tão barata nesta zona.

 

  • É uma lufada de ar fresco

 

Acordar, abrir a tenda e depararmo-nos com árvores a toda a volta, o som dos passarinhos, o fresco da manhã em plena natureza… não tem preço. Quebra a rotina por completo e faz com que nos desliguemos mais facilmente dos telemóveis e de outros dispositivos eletrónicos simplesmente porque não estamos dentro de 4 paredes. Estamos rodeados de pessoal, muitas vezes de todos os cantos do mundo, com as suas tendas, os seus animais, os seus hábitos, todos a partilhar a mesma “casa”, mas permanecendo com o seu próprio espaço.

Ao acampar estamos menos conectados com as redes sociais e estamos mais conectados connosco próprios, com quem está connosco fisicamente a partilhar toda a experiência. Sinto sempre que há mais “lugar” para a conversa, para os passeios, para olhar para o céu à noite depois de um belo dia de férias. Acampar é, de certa forma, abrandar o ritmo e viver ainda mais no presente.

 

Acordar na tenda.jpeg

 

Uma parte muito importante da experiência do campismo é, sem dúvida alguma, o parque escolhido. Há parques com ambientes espetaculares, localizações incríveis e atividades para todos os gostos, o que melhora imenso a experiência. 

Na minha opinião, os melhores parques de campismo são em Itália e em Espanha. O clima e as praias têm enorme influência nisso, sem dúvida alguma, porque fazem com que estes destinos sejam naturalmente ideais para acampar, assim como bastante populares. Há imensa oferta e, com um bocadinho de pesquisa prévia, chega a ser difícil escolher um parque que desaponte, porque há tantos tão bons. Daqueles em que já estive, destaca-se sem dúvida o Camping & Resort Sangulí Salou, do qual eu já falei noutro post. Este é um parque de campismo de 5 estrelas com três piscinas espetaculares e praia do outro lado da estrada. Tem tudo o que alguém possa desejar dentro do parque, desde diversões aquáticas a entretenimento a noite toda. É um verdadeiro paraíso na terra e, apesar de já lá ter estado duas vezes, não me consigo cansar. Fica em Salou, um destino de praia muito popular na Catalunha.

 

Piscina do Camping & Resort Sangulí Salou.jpeg

Ténis no Camping & Resort Sangulí Salou.jpeg

Bar na piscina do Camping & Resort Sangulí Salou

 

Já em Itália posso destacar o Camping Villaggio Atlanta & Mediterraneo, em Chioggia, a cerca de 50 minutos de Veneza, com umas piscinas muito fixes (incluindo uma olímpica) e uma praia privada a 100m de distância. Ótima opção para quem não quer pagar um balúrdio para ficar dentro de Veneza, com imensa tranquilidade e espaço. Não tem grande aquapark, ao contrário de outros parques a que fui neste país, mas a piscina olímpica era tão extensa e estava sempre tão tranquila que nem me importei nada.

No entanto, não são só os parques de campismo na costa que valem a pena. Embora menos impressionantes, os parques na Alemanha e na Áustria são também encantadores, com a relva verdinha, imensa natureza e condições de higiene muito acima da média. Infelizmente, depois de uma extensa pesquisa, não consegui encontrar o parque que mais gostei, em Viena de Áustria, e penso que já deve ter fechado. Era mesmo dentro da cidade e lembro-me que uma das minhas partes favoritas eram as casas de banho - enormes, super asseadas, com lavatórios individuais em que se conseguiam meter todos os produtos de higiene possíveis de uma forma super conveniente. Umas boas casas de banho em parques de campismo são tão mas tão raras que, apesar de só ter 11-12 anos quando aqui estive, ficou-me mesmo na memória.

 

Tendas em Berlim

 

Os parques que me marcaram menos ficam em Inglaterra e na Holanda, assim como na República Checa, apesar de não serem maus, de todo. Simplesmente não se conseguiram destacar no meio de tanta outra coisa boa. Também não ajudou o facto de que apanhámos chuva nesses sítios, o que piora sempre um bocadinho a experiência.

Não posso deixar de mencionar o nosso país, é claro. No verão passado fartei-me de acampar por terras lusas e, deixem que vos diga, temos aqui parques muito fixes. Um dos melhores foi sem dúvida o Lima Escape, no Gerês, com um envolvimento encantador, ótimas condições e uma boa localização. Para além deste, adorei também o Camping Galé, perto de Melides, mais a sul. Tem passagem direta para uma praia muito fixe, um café-bar com preços muito acessíveis e um ótimo ambiente no geral!

 

Acampar no Gerês.jpeg

Parque de Campismo da Galé.jpeg

 

Escusado será dizer que tenho saudades de acampar (e de férias, no geral…) e estou já a fazer planos para explorar mais parques este verão, se o vírus me deixar! Sinto ainda mais necessidade de deixar esta casa e esta bolha de conforto do que o habitual devido à pandemia, e aquilo que me faz manter a motivação do dia-a-dia é pensar em todas as viagens que vou fazer quando isto tudo acabar!

 

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acampar na europa.png